OAB pede prisão de patroa que agrediu doméstica grávida no MA; entidade classificou crime como tortura
Áudios enviados por patroa em grupo de mensagens narram agressão contra doméstica no MA A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB...
Áudios enviados por patroa em grupo de mensagens narram agressão contra doméstica no MA A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Maranhão informou, nesta quarta-feira (6), que pediu à Polícia Civil a prisão preventiva de Carolina Sthela Ferreira dos Anjos, investigada por tortura e violência contra uma empregada doméstica grávida. As agressões aconteceram em 17 de abril, na casa onde a vítima trabalhava, em Paço do Lumiar, na Grande São Luís. De acordo com um relatório elaborado pela Comissão de Direitos Humanos da OAB-MA, a vítima, grávida de seis meses, foi torturada física e psicologicamente após ser acusada de furtar um anel. Mesmo negando a acusação, ela foi agredida com socos, tapas e ameaçada com uma arma de fogo, que chegou a ser colocada em sua boca. 📲 Clique aqui e se inscreva no canal do g1 Maranhão no WhatsApp A violência durou cerca de uma hora e continuou mesmo após o anel ser encontrado. A investigação inclui laudos de lesões e áudios em que Carolina confessa as agressões (ouça os áudios no vídeo acima). O crime, segundo a OAB-MA, é classificado como tortura agravada, já que a vítima era gestante, além de lesão corporal, ameaça e calúnia. A OAB também destacou o histórico criminal de Carolina, que inclui: Condenação por furto qualificado, com pena superior a 6 anos; Condenação por calúnia, com acusação falsa contra funcionárias; Processos e medidas protetivas por violência doméstica; Diversas ações cíveis e dívidas. Ainda segundo o relatório, esse histórico demonstra risco de reincidência e alta periculosidade. Com base na gravidade do crime, no risco à vítima e na possibilidade de repetição dos atos violentos, a OAB pediu a prisão preventiva, a inclusão das provas no inquérito e a identificação de um possível comparsa. Além disso, a investigação deve apurar uma possível omissão de um policial citado pela investigada. OAB pede prisão de patroa que agrediu doméstica grávida no MA; entidade classificou crime como tortura Reprodução/Redes sociais/TV Mirante SAIBA MAIS SOBRE O CASO: Áudios enviados por patroa em grupo de mensagens narram agressão contra doméstica grávida no MA: 'Não era pra ter saído viva' Doméstica grávida agredida por ex-patroa no MA diz que tentou proteger bebê durante ataques: ‘Não se importavam’ Suspeita de agredir doméstica grávida no MA diz em áudio que não foi levada à delegacia por conhecer policial Patroa que agrediu empregada grávida no MA já foi condenada por falsa acusação de roubo contra ex-babá PMs são afastados após patroa que agrediu doméstica no MA afirmar não ter sido levada à delegacia por conhecer policial Empresária é investigada por agredir doméstica grávida PMs que atenderam caso de patroa que agrediu doméstica são afastados; agressora disse que não foi levada à delegacia por conhecer policial Reprodução/Redes sociais Carolina Sthela é investigada pela Polícia Civil por suspeita de agredir e torturar uma empregada doméstica de 19 anos, grávida de cinco meses. Três semanas após a agressão, a jovem ainda se recupera dos traumas emocionais. A jovem denunciou ter sido espancada pela empresária Carolina Sthela após ser acusada de roubar joias da ex-patroa. Grávida de cinco meses, disse que tentou proteger a barriga durante os golpes. As agressões aconteceram em 17 de abril, na casa onde a vítima trabalhava, em Paço do Lumiar, na Grande São Luís.Segundo a jovem, ela foi puxada pelos cabelos, derrubada no chão e agredida com socos e murros. “Começou com puxões de cabelo. Eu fui derrubada no chão e passei boa parte do tempo ali. Foram tapas, socos e murros... foi sem parar. Eles não se importavam", disse. Após mais de uma hora de procura, a joia que motivou a acusação foi encontrada no cesto de roupas da casa. Mesmo assim, as agressões continuaram, segundo a vítima. "Eu, graças a Deus, não levei nenhum chute, porque fiquei protegendo minha barriga o tempo todo, mas o restante do corpo ficou todo marcado”, relatou. Suspeita de agredir doméstica grávida no MA diz em áudio que não foi levada à delegacia por conhecer policial Áudios enviados pela própria empresária e obtidos pela TV Mirante registram os relatos das agressões e foram anexados ao inquérito, de acordo com a Polícia Civil. Em uma das mensagens, Carolina afirma que a vítima “não era pra ter saído viva” (ouça os áudios no vídeo no início da matéria). “Quase uma hora essa menina no massacre, e tapa e murro e pisava nos dedos. Tudo que vocês imaginarem de doidice, era eu e ele fazendo”, afirmou Carolina Sthela. Nos áudios, a mulher contou que teve ajuda de um homem, ainda não identificado, para pressionar a empregada de forma violenta. Na manhã do dia 17 de abril, ele foi armado até a casa de Carolina. “Eu acordei era 7h30. Aí eu (disse): ‘Samara, arruma logo essa cozinha’, que eu também não sou besta, ‘que eu vou receber um amigo meu aqui em casa’. Aí ele chegou e eu disse ‘entra, amigo’. Ele (o homem) já veio com uma jumenta de uma arma, chega brilhava." O caso é investigado pela 21ª Delegacia de Polícia Civil do Araçagy. Carolina Sthela não foi presa nem indiciada até o momento. Segundo a Polícia Civil, ela é alvo de mais de dez processos. PMs que atenderam ocorrência da agressão são afastados Quatro policiais militares que atenderam a ocorrência de agressão, envolvendo Carolina Sthela e a empregada doméstica, foram afastados das funções. A informação foi confirmada pela Polícia Civil à TV Mirante. O afastamento ocorreu após a divulgação de áudios enviados pela própria empresária em um grupo de mensagens, obtidos com exclusividade pela TV Mirante. Nos áudios, Carolina descreve as agressões que fez contra a vítima e afirma que não foi levada à delegacia, pois um dos policiais envolvidos na ocorrência seria seu amigo. De acordo com Carolina, o policial, que não teve o nome divulgado, teria dito que, devido aos hematomas visíveis no corpo da vítima, ela deveria ter sido conduzida à delegacia, o que não aconteceu. “Parou uma viatura no meio da rua, eles vieram aqui de manhã. Mas veio um policial que me conhecia. Sorte minha, né? E sorte dela também. Aí eu expliquei para ele o que tinha acontecido. Aí ele disse: ‘Carol, se não fosse eu, eu teria que te conduzir para a delegacia, porque ela está cheia de hematomas’. Aí eu disse: ‘era para ter ficado era mais, não era para ter saído viva’”, afirmou Carolina. ➡️ A produção da TV Mirante confirmou a veracidade dos áudios com a Polícia Civil do Maranhão, a qual informou que as mensagens já estão anexadas ao inquérito. Procurada pelo g1, a empresária Carolina Sthela afirmou, por meio de nota, que colabora com as investigações e que apresentará sua versão no momento oportuno. Ela também declarou que repudia qualquer forma de violência, especialmente contra mulheres e pessoas em situação de vulnerabilidade, e pediu que não haja “julgamento antecipado” enquanto o caso é apurado (veja mais abaixo a nota na íntegra). Suspeita das agressões tem mais de dez processos contra ela A polícia também informou que existem mais de dez processos envolvendo Carolina Sthela. Em um deles, de 2024, ela foi condenada por calúnia após acusar falsamente a ex-babá do filho dela de roubar uma pulseira de ouro. O processo tramitou no Juizado Civil e Criminal de Santa Inês, e a sentença foi proferida em outubro do ano passado. A acusada foi condenada a seis meses de prisão em regime aberto, mas a pena foi substituída por prestação de serviço comunitário. Ela também foi condenada a pagar R$ 4 mil por danos morais. A produção da TV Mirante também conversou com Sandila Souza, ex-babá que denunciou a mesma mulher em outro processo. Ela contou que começou a trabalhar na casa da suspeita quando tinha 17 anos e que, atualmente, não mora mais no Maranhão. Segundo a ex-babá, o pagamento pelo serviço era feito por contas de terceiros, nunca diretamente pela patroa. Ela também afirmou que a indenização por danos morais ainda não foi paga. “Ela olhou pelas câmeras. Foi no mesmo momento que ela me viu saindo com as minhas malas e falou que ia na delegacia, que eu tinha roubado a pulseira do filho dela. Ela ia dizer que eu tinha roubado a pulseira do filho dela. Eu falei: ‘Eu não roubei a pulseira do seu filho, mas, se você quiser ir lá, pode ir, que tem câmera em todo lugar e as câmeras nunca ficam desligadas.’” O que diz a empresária sobre agressão contra doméstica "Diante das publicações e comentários que vêm circulando na imprensa e nas redes sociais a respeito do IPL nº 066/2026 — 21º Distrito Policial do Araçagy/MA, venho me manifestar com serenidade e respeito. Em primeiro lugar, afirmo que respeito profundamente a atuação das autoridades e que jamais me neguei a colaborar com a apuração dos fatos. Minha defesa já compareceu à delegacia, solicitou acesso aos autos e adotará todas as providências necessárias para que minha versão seja apresentada no momento adequado, de forma responsável e dentro do procedimento legal. Também registro que repudio qualquer forma de violência, especialmente contra mulheres, gestantes, trabalhadoras e pessoas em situação de vulnerabilidade. Justamente por reconhecer a gravidade do assunto, entendo que tudo deve ser apurado com seriedade, equilíbrio, provas e respeito ao devido processo legal. Minha família, incluindo meu marido e meu filho, vem sofrendo ataques e ameaças. Isso não contribui para a verdade, não ajuda a investigação e apenas aumenta o sofrimento de todos os envolvidos. Requeiro que não haja julgamento antecipado e que o inquérito seja conduzido em observância aos princípios constitucionais. A investigação ainda está em andamento, e a verdade deve ser esclarecida pelas vias legais, jamais por ameaças, ofensas, exposição de familiares ou linchamento virtual. Seguirei à disposição das autoridades, por meio da minha defesa, confiando que os fatos serão esclarecidos com responsabilidade, respeito, técnica e justiça. Paço do Lumiar - MA, 05 de maio de 2026. Carolina Sthela Ferreira dos Anjos" .
